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Vocação Matrimonial: Um Caminho de Santidade e Comunhão

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Vocação Matrimonial: Um Caminho de Santidade e Comunhão

Iniciamos o mês de agosto e, com ele, mergulhamos em um tempo fundamental para a Igreja: o mês das vocações. Durante todo o ano falamos sobre o tema, mas este período é especial porque nos convida a entender a realidade vocacional não como algo mecânico ou uma simples prestação de serviços, mas como o caminho que Deus prepara para a nossa realização pessoal. Deus não nos enxerga como uma massa sem rosto; Ele nos ama como indivíduos e nos chama pelo nome, preparando uma resposta de amor e um caminho de salvação específico para cada um de nós.

O Discernimento como Entrega

O desejo de corresponder ao amor de Deus e trilhar um caminho de santidade se concretiza através do discernimento. Precisamos nos perguntar, com sinceridade, para onde o Senhor nos leva e se estamos dispostos a entrar em Sua vontade, que é sempre uma vontade de amor e salvação. A vida cristã consiste em, pouco a pouco, render-se ao plano que Deus preparou, em vez de tentar fazer com que Ele realize a nossa própria vontade. Neste mês, a Igreja nos toma pela mão para nos ajudar a descobrir ou confirmar o nosso chamado, começando, nesta primeira semana, pela vocação matrimonial.

A Sacralidade do Matrimônio

É comum cairmos no erro de criar uma escala de importância, colocando a vocação sacerdotal acima da familiar, mas não é assim que a Igreja compreende o plano do Senhor. O matrimônio é algo profundamente sagrado. A bênção matrimonial é a única que não foi abolida nem pelo pecado original, nem pelo dilúvio, pois a união entre homem e mulher manifesta a própria natureza divina e a comunhão que existe em Deus. Fomos criados à imagem e semelhança de um Deus que é, em sua interioridade, uma comunhão de pessoas — a Trindade. Por isso, “não é bom que o homem esteja só”, pois fomos feitos para a comunhão.

O Espelho do Amor de Cristo

A união matrimonial ganha um sentido ainda mais profundo em Jesus Cristo. Assim como a Igreja nasceu do lado aberto de Cristo na cruz, ela é Sua esposa. São Paulo interpreta o mistério da salvação através deste paralelo: o amor de Cristo pela Igreja é o modelo para o amor entre marido e mulher. No cotidiano da entrega, no zelo mútuo, no perdão e na coragem de entrar com o outro na cruz, o casal torna visível ao mundo o amor salvífico de Cristo. O matrimônio, portanto, é uma missão de anunciar o Evangelho através da doação pessoal.

Um Chamado à Reflexão

Neste tempo favorável, convido cada um a se questionar: Deus me chama ao matrimônio?. Se sim, é preciso assumir essa vocação com a consciência de que ela é sagrada, única e capaz de me realizar e me salvar. Não se trata de escolher o matrimônio por “não ser capaz de ser padre”, mas sim por entender que nele há uma missão clara e certa.

Para os que já são casados, o desafio é renovar o olhar: tenho vivido o matrimônio sob a perspectiva da entrega e da comunhão?. Deus quer renovar a fé dos casais e abrir os olhos dos jovens para a grandiosidade desta missão. Celebremos, pois, com ânimo a bondade de Deus, que nos visita e nos oferece caminhos de salvação para completar sua obra de amor na humanidade

Paz e bem!

Frei Jorge Lisot, OFM
Pároco

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